Artigo: Após esperança, futebol brasileiro continua no mesmo lugar
Por Gabriel Alcântara
O futebol brasileiro esperava uma grande mudança na forma de se vender os direitos de transmissão para o Campeonato Brasileiro, a partir de 2025. Mas de fato continuou com o mesmo retrocesso que já se havia visto nas últimas licitações.
O início da mudança se viu pela forma com que esses direitos seriam vendidos. A tentativa de uma união, com um grupo só para a comercialização do campeonato e a criação da tão sonhada liga brasileira. Aparentava sair pela procura de fundos internacionais, como a Mubadala e a XP Investimentos, que queriam investir bilhões na liga. No final, o “jeitinho brasileiro” inventa a união fragmentada da venda dos pacotes televisivos.
Anteriormente, os clubes conquistaram mais poder com a lei do mandante, sancionada pelo então presidente Jair Bolsonaro em 18 de junho de 2020. A lei alterou a Lei Pelé, responsável pelas regras dos direitos de transmissão de futebol na TV. Antes, exigia a anuência de mandante e visitante para a transmissão de uma partida. A partir disso, os clubes conseguiram vender seus direitos unilateralmente e, no caso do brasileiro, cada clube vende 19 jogos para as empresas de mídia interessadas em transmitir o evento.
Uma atitude que se ameaçava a se inspirar no modelo mexicano, colocando cada jogo em várias emissoras diferentes, acabou fazendo com que no Brasil aumentasse os canais interessados pelo futebol brasileiro. Com isso, mais concorrentes internacionais surgiram no meio do caminho e emissoras abertas que não transmitiam futebol há décadas, voltaram ao cenário.
A comercialização da licitação do Campeonato Brasileiro, de 2025 a 2029, se dividiu em dois grupos. Libra com 19 times (ABC, Atlético-MG, Bahia, Brusque, Corinthians, Flamengo, Grêmio, Guarani, Ituano, Mirassol, Novorizontino, Palmeiras, Paysandu, Ponte Preta, Red Bull Bragantino, Sampaio Corrêa, Santos, São Paulo e Vitória) e Liga Forte União, com 21 times (América-MG, Athletico-PR, Atlético-GO, Avaí, Ceará, Chapecoense, CRB, Criciúma, CSA, Cuiabá, Figueirense, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Internacional, Juventude, Londrina, Operário-PR, Sport, Tombense e Vila Nova), junto com o Grupo União (Botafogo, Coritiba, Cruzeiro e Vasco).
Essa era a forma que o futebol brasileiro se juntou inicialmente. A Libra vendeu seus direitos para a TV Globo, por R$ 1,3 bilhão por ano. Já a Liga Forte União ainda irá vender para vários interessados, fragmentando os direitos.
Mesmo dessa forma que aconteceu a junção de vários clubes, acabou que houve times que romperam com a aliança, voltando a lembrar a época da eclosão do Grupo dos 13, que envolveu treze clubes que tentaram vender os direitos do Brasileirão de 2011. O Corinthians quis ouvir as propostas que mais lhe rendia dinheiro e acabou rompendo com a Libra, vendendo seus jogos de forma unilateral. Semelhante ao que aconteceu na década passada.
Essa é a maneira com que o Campeonato Brasileiro definiu seu futuro para 2025. A vontade de ganhar mais dinheiro com os direitos se sobressai ao modelo inspirado nas grandes ligas do mundo. Uma liga unificada forte que alcança mais resultados juntos.
O Campeonato Brasileiro deveria pegar o grande exemplo do futebol paulista. Todos os times dão anuência com a Federação Paulista de Futebol para a venda dos direitos em várias plataformas. Hoje, está no YouTube e Record em meios abertos, junto com a TNT e Max em meios pagos. Com produção unificada das transmissões e identidade gráfica da competição bem definida, pensando no produto em si.
Na CBF, a bagunça reina. E do jeito que a entidade ainda vai continuar. Os torcedores continuarão a passar por problemas de logística, pensando em querer ver em loco as partidas do seu clube. Somente uma semana e meia para começar o Brasileirão de 2024 que se definiu as datas e horários dos jogos. Desse jeito, não chegarão nem perto da seriedade da Premier League.

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